VIAGEM AO CONE SUL II (João Maia)

Prezados motociclistas,

Durante a viagem do nosso colega João Maia , noticiamos o seu dia a dia no Blog do Mototribo, na página Diário do João.. Agora, apresentamos o resumo e conclusões sobre  a viagem escritos pelo estradeiro João.

Resumo de viagem ao Conesul ll

Nossa segunda viagem ao Cone Sul tinha como objetivo três pontos turísticos principais: Percorrer trecho da Interoceânica (Assis Brasil a Cusco), trafegar numa das estradas mais perigosas do mundo (La Paz a Coroico) e percorrer o Altiplano da Bolívia. Este ultimo, o mais importante, mais belo e mais audacioso.

Saímos de Natal em 04/09/2011 por volta das 15:00 h. Da. Graça esteve no local para se despedir e nos dar aquela força; obrigado, Graça.

Chegamos a Campina Grande (PB) por volta das 19:00 h sem nenhum problema e um total de 262 km percorridos com atenção dobrada e tensão total, muito peculiar no início de qualquer viagem.

No dia seguinte, 8;00 h, saímos de C. G. e fomos dormir em Estância (SE), via Caruaru (PE) e BR101, percorrendo um total de 666 km sem problemas e estrada boa.

Em 06/09/2011, dormimos em Cândido Sales (BA), num hotelzinho de posto percorrendo 778 km sem problemas mas, grande parte do trecho, BR116, com muitos caminhões. Era preciso muita paciência nas ultrapassagens.

Em 07/09/2011, dormimos em Patos de Minas (MG), num hotel de posto muito bom e já nosso conhecido. Percorremos, nesse dia, 811 km já totalmente relaxados e tranquilos, até porque era trecho já bem nosso conhecido. Esse trecho tem uma descida de serra bem gostosa e os caminhoneiros são muito cordiais e “abrem” passagem sem grandes problemas.

Em 08/09/2011, chegamos a Barretos para nossa “Festa dos Vulcaneiros”. Percorremos 506 km com bastante trecho de interior, seco, plantio de eucaliptos e pouca coisa para ver. A festa foi muito boa.

Em 11/09/2011, fomos dormir em Jataí (GO). Percorremos 643 km em estrada ruim. A cidade é péssima e “metida a turística” devido a um balneário lá existente. Hotel caro e ruim; jantar também.

Em 12/09/2011, Dormimos num hotel na entrada de Cuiabá. Era nossa intenção dormir na Chapada dos Guimarães mas, perdemos a entrada. Percorremos 669 km de estrada extremamente cansativa e clima quente. Muito caminhão. Uma preocupação maior era que, até aquele momento não tínhamos notícias da famosa Carta Verde. O Jorge de Foz tentava conseguir e mandar para Porto Velho. Saí de Natal com uma gripe do cacete e, depois de tanta poeira na estrada, minha mulherzinha também gripou.

Em 13/09/2011, dormimos em Vilhena (RO) com 841 km rodados e muito cansados. A gripe forte, com tosse, não nos deixava dormir bem. A estrada de Cuiabá a Cáceres estava em péssimas condições e o trecho a Pontes e Lacerda havia muita fumaça proveniente das queimadas. Em certo momento, pegamos uma chuva de granizo de “rachar capacete”. Logo na frente, ainda debaixo do temporal, demos de cara com uma carreta parada em pleno pavimento. Havia caído uma árvore na estrada. Fui lá ver e, comecei a quebrar uns galhos (no sentido literal) para passar com o tri. Era um retão de perder de vista tanto para frente como para trás. Estava eu labutando (também no sentido literal) quando ouvi um estrondo enorme de uma batida atrás do tri e eu pensei: Fiquei viúvo! Corri desesperado lá para trás da carreta quando vi a desgraça: duas carretas engavetadas uma na outra e meu tri, ileso, na frente. A mulher estava em pé, no meio-fio, branca e sem ferimento algum. Quando vimos os motoristas partirem prá porrada no irresponsável, pegamos o tri e nos mandamos de qualquer maneira.

Em 14/09/2011, dormimos em Porto Velho (RO). Ficamos hospedados, por dois dias, na casa do genro de Neta e Dorian (Melrison e Paloma). Foi uma viagem também cansativa. Percorremos 764 km pensando que não conseguiríamos. Trocamos óleo e lavamos o tri. Foi lá que recebemos a notícia de que não teríamos a Carta Verde. Imediatamente, refizemos o roteiro evitando passar na Argentina. Seguiríamos até La Paz, Oruro, Potosí, Uyuni como planejado e iríamos até Laguna Verde onde retornaríamos para Santa Cruz e seguiríamos para Corumbá.

Em 16/09/2011, dormimos em Epitaciolândia percorrendo 737 km. Estrada boa, pouco movimento, alguns trechos em recuperação e uma maldita balsa no rio Madeira. Por sorte chegamos na hora da saída. Quase ficamos sem combustível por não querermos abastecer naqueles postos um tanto quanto esquisitos. Quando abastecemos, pegou 44 litros. Só restavam três. Outro sufoco foi que entramos em Epitaciolândia, em busca de hotel e, fomos entrando e entrando até conseguir um. Deixamos nossas coisas e o tri no hotel e pegamos uma carona para Cobija (BO) para comprarmos uma bateria para a filmadora. Os caras tinham filmadora com bateria mas a bateria sozinha, não. Já era quase oito da noite quando pegamos um táxi boliviano para voltar para o hotel (dava para ir a pé mas ficamos com medo). Mesmo tratando antes o valor o boliviano não fez o roteiro da ida, apesar de meus protestos. O pior estava para vir: nós havíamos esquecido o nome do hotel e ele nos largou no meio da rua, no Brasil. Depois de muita pergunta, conseguimos um taxi que nos levou ao hotel com base nas características que passamos para ele. Conclusão: Epitaciolândia e Brasiléia são emendadas e separadas de Cobija por um pequeno rio. Nós tínhamos atravessado Epitaciolândia e tínhamos nos hospedado em Brasiléia. Ambas têm ponte ligando-se a Cobija. Nós fomos por uma e voltamos por outra.

Em 17/09/2011, dormimos em Puerto Maldonado (PU), num excelente hotel e barato. Rodamos, nesse dia, 486 km de boas estradas e a beleza da floresta amazônica. Já era felicidade total pois se aproximava a “subida do morro”.

Em 18/09/2011, dormimos em Juliaca (PU). Por que Juliaca e não Cusco? Estávamos abastecendo em Iñambarí quando um motorista peruano perguntou por que íamos a Cusco se já conhecíamos? Tinha uma estrada que saía em Juliaca e era mais de 150 km mais próxima, mais bonita e com mais aventura. Em Puente Iñambarí, onde a estrada se divide, tiramos par-ou-ímpar e seguimos direto para Juliaca. Coisa de louco! Foram 378 km inesquecíveis! Estrada lindíssima! Curvas e mais curvas! Subida tão vertical que parecia estarmos indo para o Céu! Abismos estonteantes! Frio de rachar e, no final da tarde, uma placa: 4.873 manm! Paramos o tri e ficamos olhando para ela. Que idiotice! A dor de cabeça começou a aparecer somando com a gripe etc. Pegamos o mau da altitude e só há uma solução: forçar a chegada a Puno onde conhecíamos um excelente hotel e tínhamos feito boa amizade com o pessoal dele e, Puno está a 4.200 m. Não conseguimos. Quando entramos num hotelzinho em Juliaca o cara exclamou: Estão apunados! Vão para o quarto que vou providenciar remédio na farmácia. Jantamos, tomamos bastante chá de coca e dormimos mau mas estávamos relativamente bem ao levantarmos na manhã seguinte.

Em 19/09/2011, dormimos em Copacabana (BO). Percorremos, nesse dia, 300 km. Copacabana é linda, com muitas opções de lazer, comida boa e muitos turistas. Passamos três dias por lá.  Estávamos nós, já próximo à entrada de Puno quando fomos abordados pela polícia que nos exigiu o seguro internacional contra terceiros. Como não tinha, dei uma de João-sem-braço e mostrei o seguro obrigatório. Não colou. Teria que pagar uma multa de 700 soles. Aleguei que não tinha esse dinheiro e que o tri tinha sido construído por mim, que era pobre e só tinha 30 soles: paguei esse valor e me mandei. Essa era outra vantagem de viajar de triciclo: a comprovação do grau de pobreza. Na aduana de Yunguio (PU), pagamos mais 30 bolivianos aos peruanos que queriam 90 soles. No lado boliviano, os milicos se “apaixonaram” por nossos capacetes Nolan e perguntaram quanto custavam no Brasil e eu disse que não sabia pois havia sido um presente de meu “patrão”, que eles já eram velhos e eu havia mandado pintar e recuperar. Ainda em Copacabana, conhecemos um casal argentino que vinha do sul da Bolívia e havia passado em Potosí e Oruro. Estavam p da vida pois passaram o maior sufoco com a recusa de postos bolivianos de abastecer veículos estrangeiros. Quase ficou sem combustível no percurso. Disse que quando conseguia abastecer, cobravam o triplo do preço registrado na bomba. Foi uma ducha fria para nós.

Em 22/09/2011, dormimos em La Paz. Foram 152 km de estrada boa. Não fomos por Desaguadero (PU). Preferimos a rota alternativa, de balsa, pelo Titicaca, sem sair da Bolívia. De 2006 para cá, a cidade passou por algumas reformas principalmente no centro. O curioso é que fomos abastecer ainda em Copacabana, nos cobraram o triplo do valor e quando reclamei me mostraram uma lei presidencial da cobrança triplicada em postos de fronteira. Os caras me deram duas notas fiscais: uma do preço normal e outra com a diferença. Essa segunda nota iria para o governo. Até aí… tudo bem. Os argentinos não devem ter entendido. Foi em La Paz que começamos a notar uma mudança do nativo em relação a nós. Dava a impressão que os preços eram aumentados quando comprávamos alguma coisa. Era melhor cair fora! No hotel nos informaram que a estrada de Coroico estava fechada veículos motorizados. O governo havia feito um asfalto por traz e deu a estrada velha para empresas de turismo de bicicleta. Fomos a procura dessas empresas e uma nos sugeriu ir por traz e descer pela velha, se a polícia aparecesse,  um pedido de desculpas ($$$) resolveria. Estávamos já de saída para pegar o tri quando um deles fez uma pequena observação: a estrada é estreita e haveria a possibilidade de jogarmos um ciclista desavisado abismo abaixo… Desistimos e, ao passar a pé por um posto, perguntamos sobre abastecimento de veículo estrangeiro e o bombeiro respondeu que não havia sobretaxa. No dia seguinte ao sairmos da cidade, nesse mesmo posto, fomos sobretaxados e, detalhe, não nos deram as duas notas.

Em 24/09/2011, Dormimos depois de Caracolo, num estábulo da casa de um aldeão. Rodamos 193 km. Nesse trecho tivemos a maior aventura da viagem: pegamos uma baita de uma nevasca que congelou até o filtro de ar do motor. Ele parou em definitivo de frente a casa desse aldeão. O cara nos deu dois cobertores pois os sacos de frio não eram suficientes, chá e, pela manhã, chá e pão. Dormimos no chão. Pela manhã, o tri funcionou e seguimos com ele engasgando até chegarmos a Cochabamba.

Em 25/09/2011, dormimos em Cochabamba. Percorremos 190 km. Dentro da cidade, pedindo informações do hotel onde havíamos ficado em 2006, paramos em um posto para abastecer e fomos sobretaxados sem nota mas o cara nos ensinou direitinho o hotel. Foi aqui que o tri, sem mais nem menos, voltou a funcionar normalmente. Interessante é que paramos em Villa Tunari para almoçar e abastecer demos de cara com uma fila enorme de carros no único posto da cidade. Não precisávamos de combustível até Santa Cruz mas vimos algumas pessoas abastecendo numa casa próxima. Como cobravam uma pequena taxa adicional, fomos lá e enchemos o tanque. Outro detalhe é que havíamos abastecido em Caracolo pelo valor nominal da bomba. Com tanto aborrecimento na Bolívia, resolvemos sair o mais rápido possível daquele país e não retornar mais. Com essa ideia, resolvemos não passar por Santa Cruz.

Em 26/09/2011, dormimos em Montero, ainda na Bolívia. Rodamos 419 km.  Era nossa ideia seguirmos em direção às Missões, até Los Troncos e retornar a Pailon onde pegaríamos a estrada direto a Corumbá. O cara do hotel afirmou categoricamente que não havia essa estrada e nos convenceu a seguirmos para Santa Cruz. Perdemos a manhã toda dentro de Santa Cruz sem conseguirmos sair para Cotoca. Os caras são maus! É facílimo de sair: É SÓ PEGAR A AVENIDA N.S. DE COTOCA QUE JÁ ESTÁ NA ESTRADA E ESSA AVENIDA COMEÇA NO CENTRO DA CIDADE! Um posto se recusou a abastecer o tri e o seguinte abasteceu sem sobretaxa. A essa altura, só queríamos sair da Bolívia. Com muita dificuldade, paciência e insistência, chegamos ao girador que indica o início da estrada para Corumbá. Paramos no anel, em frente a uma placa: Em frente, Trinidad ou seja: Los Troncos. À direita, Puerto Soares. Bolivianos fdps! A raiva foi tão grande que resolvemos tirar os 600 km naquela tarde mesmo. Dormiríamos em Corumbá. Estrada nova, larga, reta e plana! O tri voava baixo e roncava que nem leão… Próximo a San José de Chiquitos, fomos obrigados a pegar um desvio péssimo e de uns setenta quilômetros. Com o atraso, resolvemos dormir em Robore. Ao chegarmos em S. J. de Chiquitos, demos de cara com o único posto da estrada e resolvemos abastecer mas o bombeiro nos informou que tinha de pedir autorização a uma guarnição do exército ali presente (e eu pensava que era um grupo de escoteiros pois era um bando de meninos vestidos de verde). O “comandante” pediu para que eu apresentasse a autorização de abastecimento fornecida pelo governo e eu, dando outra de joão-sem-braço, mostrei a autorização dada pela aduana para trafegar na Bolívia com o tri. Claro que ele não aceitou e eu, já perdendo a paciência pedi que ele nos levasse para morar na casa dele já que não tínhamos combustível para chegarmos à fronteira. Ele se dirigiu ao bombeiro e mandou que ele abastecesse o tri com a “autorização” dele. Aí eu já não entendia mais nada! De tanque cheio, partimos para Robore. Logo de saída, demos de cara com um Rali que nos atrasou mais ainda e entraram para Robore que, praticamente, só tem um hotel. Perguntamos a um caminhoneiro até que horas a aduana ficava aberta ao que respondeu que não fechava. Entre ficar em Robore ou seguir em frente para Corumbá, optamos pela segunda mesmo sabendo que chegaríamos lá depois das nove da noite. Arrochamos o tri enquanto havia sol nos planos de diminuir à noite e fomos embora. Dito e feito: Nove da noite estávamos na aduana que havia acabado de fechar as portas. Bateu o desespero e a raiva mas um boliviano se aproxima e pergunta o que está acontecendo; quando eu ia responder, minha mulherzinha interveio explicando, pacientemente o que vinha acontecendo desde que entramos na Bolívia. Foi aí que o cara falou: passa, dorme em Corumbá e volta amanhã para dar saída.  Aí foi demais: os caras só nos passam informações erradas e agora querem que eu vá preso na aduana! Depois de muita insistência do cara, enfrentamos já pensando na m. que ia dar. Primeiro a aduana da Bolívia… tchauzinho para os guardas e depois aduana do Brasil… os caras armados até os dentes… tchauzinho… e…. passamos. EU NÃO ACREDITO! ISSO NÃO ESTÁ ACONTECENDO! Pegamos o mesmo hotel de 2006 e, acreditem, nos reconheceram!

Em 27/09/2011, dormimos em Corumbá. Percorremos 699 km. Pela manhã, retornamos às aduanas. Entramos na Bolívia, fizemos a curva, estacionamos e fomos dar saída dos documentos. Repetimos na aduana do Brasil e retornamos a Corumbá. Passamos dois dias por aqui. Trocamos óleos, filtros e lavamos o tri.

Em 29/09/2011, dormimos em Inocência num hotel simplesmente espetacular. Nesse dia percorremos 797 km de boas estradas mas de sinalização confusa.

Em 30/09/2011, dormimos em Patos de Minas no mesmo hotel de sempre. Percorremos 640 km em estradas razoáveis e de sinalização também confusa. Já nos sentíamos em casa e a saudade do netinho apertava cada vez mais.

Em 01/10/2011, dormimos num hotel novo em Salinas. Muito bom e bem novinho. Percorremos 645 km de boas estradas e poderíamos ter ido dormir mais na frente mas o hotel merecia… e nossos corpos também

Em 02/10/2011, dormimos em Alagoinhas, num hotelzinho razoável. Percorremos 783 km em estrada bem conhecida e sem problemas.

Em 03/10/2011, dormimos em Maceió depois de um dia muito tumultuado. Percorremos 537 km. Paramos em Propriá para almoço quando nos lembramos que Moura, Odair e Jorge viriam por essa estrada em direção a São Paulo e liguei para o Jorge que me disse estar saindo de Maceió. Aguardamos um pouco para almoçarmos juntos e foi aí que me lembrei que ia dormir em Maceió para encontrarmos com Marcos Maia. Apertei o tri para chegarmos cedo em Maceió e, numa ultrapassagem, acertei o pneu traseiro esquerdo num buraco. Foi perda imediata. Depois de um remendo quebra-galho, em Teotônio Vilela, nos arrastamos até Maceió onde chegamos depois de meia-noite. Ficamos numa pousada e decidimos, considerando a distancia que nos arrastaríamos até Natal mesmo que rodássemos o dia todo. Saímos muito cedo da pousada e enfrentamos a litorânea com bastante bom humor pois o tri pulava feito louco se passássemos de 80 kph. Já próximo a Maragogi, num borracheiro, encontramos um pneu com medidas próximas ao nosso. Trocamos, melhorou e passamos a andar rápido. Já próximo a Natal, bateu uma chuva forte mas só paramos em frente à escolinha do netinho que fez a maior festa quando nos viu. Empacotamos o safadinho num blusão de chuva e corremos para casa. Tínhamos percorrido 575 km.

Conclusão: Foi uma viagem corrida, que atendeu parcialmente os objetivos mas não deixou de ser uma viagem bonita. É interessante que ao se comparar com a viagem de 2006 vê-se muita diferença entre as duas: Em 2006 toda a programação foi cumprida em toda sua totalidade. Agora só 60% foi cumprida, ou seja: de La Paz até Uberlândia, a programação era feita diariamente.  As informações na Bolívia eram sempre erradas e contraditórias e os informantes, na grande maioria, mostravam total má vontade e um certo desprezo. Isso não aconteceu em 2006. O problema do abastecimento, não ficou muito claro. Parece existir quatro problemas distintos: dois legais, um patriótico e o outro de pura desonestidade. No meu raciocínio: Uma lei para as fronteiras devido ao preço baixo dos combustíveis lá favorecendo o contrabando do mesmo para os outros países, uma outra lei para a fronteira com o Brasil para combater o transporte de droga, o de não querer abastecer veículo estrangeiro e, finalmente, o do aproveitador que cobra o triplo do preço sem estar em fronteira e põe o dinheiro no bolso. O Altiplano tem três caminhos para cruzá-lo: O mais audacioso e que requer GPS, um outro mais light e um dos maricas. Na nossa programação, estava o primeiro. Com a falta da Carta Verde, modificamos: iríamos pelo primeiro e retornaríamos pelo terceiro. Com o problema do combustível, nenhum valia a pena pois são mais de seiscentos quilômetros, a mais de quatro mil metros de altitude e, se precisar de ajuda, teria de contar com os bolivianos que transportam turistas na área. Outra saída seria ir para Uyuni e pegar os passeios turísticos o que perderia o sentido de aventura para nós. Se bem que fazer passeios com eles já é arriscar a vida. Em 2006 visitamos as ilhas dos Uros, no Peru e o barco só saiu e retornou depois de todos estarem de coletes salva-vidas; já para visitar as ilhas do Sol e da Lua, no mesmo Titicaca, na Bolívia, não havia coletes salva-vidas no barco. Na Bolívia, o que tem para ser visto são algumas belezas naturais fora Tiahuanaco pois o resto foi tomado pelos peruanos e chilenos já que o Paraguai pegou parte do chaco e o Brasil, o Acre.  De história inca só ficou a “lenda” de Pacha Mama e Manco Capac. que “surgiram” das islas del Sol e de la Luna. E os caras ainda botam a gente para correr de lá. Mas, um dia, ainda faremos o Altiplano! Uma outra coisa: os trechos entre Barretos (SP) e Assis Brasil (AC) são extremamente cansativos e com pouca  coisa para ver. Diria até que ir a Cusco por Foz, Argentina e Chile, como fizemos em 2006, é muito melhor, mesmo morando no nordeste.

Em números:

 Percorremos um total de 13.295 km.

Gastamos R$ 6.625,03.

A despesa média foi de 0,50 rpq.

O triciclo consumiu 1.078,79 litros de combustível com duas trocas de óleos, filtros etc.

O consumo médio de combustível foi de 12,32 qpl.

Se alguém quiser mais informações, use e-mail: joaomaia@supercabo.com.br

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